sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Seu filho é gay?

É impressionante como ainda há pais que se surpreendem quando o filhão, lá pelos dezenove anos, resolve sair do armário e assumir a baitolagem. "Onde foi que eu errei?", "Como isso pode ter acontecido?", "Ele é ativo ou passivo?" e outros questionamentos são levantados para tentar explicar a situação.

A verdade é que isso demonstra um pai relapso, que não soube observar as dicas que, durante o crescimento, o filho sempre deu. E continua dando. E dando. E dando... Dicas que são como pegadas deixadas pelo sapato plataforma do seu filho nessa trilha que inevitavelmente o levou para a boiolagem. Bastava reparar em duas ou três delas para ter certeza que o canal de TV a cabo preferido do seu rebento será a Sony, que sua profissão será algo entre designer e arquiteto, e que pagará mais de cinquenta pratas por um corte de cabelo em um "Hair Design". Isso se ele não for o próprio Hair Design.

Apesar de poucas dicas serem suficientes para concluir que seu pimpolho será uma pimpolha, resolvi listar algumas bem sutis:

  1. Gostar de vôlei: qualquer pirralho que, em vez de se juntar com os amigos para jogar aquela pelada, prefere ficar jogando vôlei com as meninas, é um viado em potencial. Se ele preferir queimado, com certeza ele já anda queimando a rosca há muito tempo.
  2. Não torcer por um time, mas pelo Brasil: É uma das principais pois é uma das primeiras a envolver o sentimento de coletividade que ele irá defender pelo resto da vida, junto de outras gazelas que também torcem "pelo Brasil", unidos.
  3. Carrinho para carregar a mochila: então o menino cresce, chega à quarta série e ao invés de carregar seu fardo bravamente, resolve adotar um carrinho. Esse é um sintoma clássico de quem está cansado de levar outro peso nas costas.
  4. Usar lancheira: a lógica deveria ser a de que se você estuda em uma escola particular, então pode pagar pelo lanche na cantina, assim não precisa de lancheira. E que se você estuda em escola pública, pode comer merenda, então também não precisa de lancheira. E afinal, homem que é homem não carrega seus lanches e sim rouba do viadinho que trás lancheira.
  5. Comer só o recheio da bolacha: atitude sutil, mas pederastríssima. Quem come só o recheio da bolacha tem a intenção de juntar as duas partes iguais de biscoito separadas pelo recheio, em uma clara alusão ao boiolismo. Evidentemente que é coisa de gaúcho.
Portanto, pai, previna-se e não tenha um infarto quando seu pequeno Leão Lobo tomar coragem para assumir publicamente que queima a rosca. Desde cedo preste atenção nesses desvios que não podem passar despercebidos. Assim, além de não morrer do coração quando o baitola apresentar o namorado para família, você economiza com bolas de futebol, carrinhos e armas de brinquedo, podendo investir em Barbies, maquiagem e artes plásticas.

E então, paizão? Abre o olho!

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